2.10.06

Caderno

Escrevo aqui no caderno o que queria que eu fosse. Quando acaba o assunto e nada vejo de interessante é quando nem fantasiando eu sou, quando estendo a fatídica condição de senhor grisalho até meus mais altos devaneios e nada resta além de, na tristeza desse constato, escrever sobre isso.

Guardo-me com o passar do elástico nas abas desse pequeno confessionário, e na gaveta ou bolso do jaleco fico descansando da vida que levo, meu corpo oco das coisas que no caderno deixei escritas, sempre.